Conheça sua cerveja: Lúpulo

Quando iniciamos no mundo maravilhoso das cervejas artesanais, para muitos de nós é difícil entender como podem existir tantas variedades de estilos, cores, aromas e sabores utilizando poucos ingredientes (às vezes apenas 4, como discutimos nesse artigo). Pensando nisso, decidimos fazer uma série de artigos falando um pouco sobre os principais ingredientes utilizados na fabricação. E começaremos no artigo de hoje com provavelmente o mais variado deles, o lúpulo.

O lúpulo é uma planta do tipo liana, que precisa de suporte para crescer em direção à luz, como as trepadeiras. Pode alcançar até seis metros de altura e é da família Cannabaceae, que tem uma prima mais famosa, que também já discutimos em outro artigo. Mas o que interessa aos cervejeiros é a flor que essa planta produz, verdinha, em forma de cone, bem familiar a quem já observou pelo menos cinco logos ou rótulos alguma vez. O que alguns não sabem é que apenas a flor feminina é assim, a masculina é redonda e não é utilizada comercialmente.

 

Flores feminina e masculina do lúpulo

 

São nesses cones que encontramos as glândulas lupulinas, estruturas amarelas que produzem as substâncias mágicas das resinas (alfa e beta ácidos) e os óleos essenciais que transformam o sabor e aroma das cervejas. Apresentam ainda flavonoides, que possuem ação antioxidante, antialérgica e anti-inflamatória (se precisava de mais argumentos a favor da bebida). Os cervejeiros encontram no mercado cones inteiros, processados em pellets ou ainda a lupulina em pó (cryo hops), mais concentrada e pura.

Dependendo do tipo utilizado, mudam as quantidades e tempo de aplicação, efeitos, produtividade e resíduos, alterando consideravelmente o produto final. Isso já oferece algumas daquelas variações que sugerimos no início do artigo. O lúpulo pode ser ainda adicionado em diferentes fases do processo de fabricação da cerveja e existem muitas técnicas de lupulagem como first wort, mash ou dry hopping, que explicaremos futuramente em outro artigo. E assim, mais algumas variedades de cerveja já surgiram.

Mas o que mais contribui para a quantidade virtualmente infinita de cervejas possíveis são o uso de diferentes tipos de lúpulos existentes. As variações podem trazem mais amargor e menos aroma ou vice-versa. Ou mais dos dois. Ou menos. Pode ainda ter característica mais picante, terroso, cítrico, floral, entre outros. E mesmo variações iguais da mesma planta adquirem características diferentes de acordo com o solo e o clima de onde foi plantado. Com isso, hoje já são encontrados mais de 120 tipos de lúpulo no mercado e a cada ano surgem novos, inclusive “fabricados” por pesquisadores para maximizar produtividade.

Muitos nomes acabam ficando mais conhecidos por aparecerem nas descrições e até nos nomes dos rótulos como Citra, Simcoe, Cascade, Saaz, Hallertau, Galaxy, entre muitos outros. Existem alguns poucos países que dominam a produção em larga escala e assim como para estilos existem as escolas, os lúpulos também possuem características em comum dependendo da região de origem. Os alemães, por exemplo, em geral são mais herbais e picantes. Os ingleses costumam ser mais terrosos e condimentados e os norte americanos mais cítricos e frutados. A figura abaixo mostra uma quantidade maior de tipos, classificados por suas características, mas se você quiser uma lista completa com as descrições de cada um pode encontrar aqui.

 

fonte: Home Brew Talk

 

Para se desenvolver melhor e ser competitiva comercialmente, normalmente a planta precisa de clima mais temperado e altitudes mais altas, o que contribui para o Brasil não estar entre os principais produtores. No entanto, existem algumas iniciativas no país e é possível encontrar alguns lúpulos nacionais no mercado, como o Mantiqueira. Mas também vamos abordar esse assunto em um futuro post.

Finalmente, pra fechar a aula sobre esse ingrediente tão importante para a cerveja, alguém pode perguntar: mas pode misturar qualquer lúpulo em qualquer receita? Óbvio que se você quer uma weiss mais levinha, colocar um lúpulo apimentado pode não ficar condizente, mas na verdade quem vai decidir isso é quem está fazendo. E existem as regras dos estilos e os experimentos, que são os que mudam as tendências do mercado. Então, quem experimentar algo diferente e achar que ficou bom, chama a gente pra tomar um copo! Cheers!

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