Quantos estilos de IPA você conhece?

Hoje vamos começar mais uma nova série de textos. Dessa vez iremos abordar os vários sub-estilos que foram sendo criados nas cervejas e não poderíamos iniciar de forma diferente! A queridinha da maioria dos cervejeiros espalhados pelo mundo, aquela clássica, a lupulada, a de sabor marcante e forte, a divinamente criada IPA.

Obviamente quase todos nossos leitores já sabem como surgiu e onde surgiu (há fortes controvérsias), e, por isso, iremos resumir a parte histórica para podermos aprofundar mais em suas variações. Nos longínquos 1760, George Hogdson, um cervejeiro londrino, criou um novo estilo para garantir que suas cervejas chegassem à Índia em boas condições. Para tanto, produziu uma Pale Ale mais forte, aumentando sua carga de lúpulo, e com um maior teor alcoólico, para que a longa viagem fosse concluída sem deteriorar a cerveja. Ate então chamada apenas de Pale Ale, a nomenclatura só surgiu na Austrália em 1829 criada por um jornal da época.

Com a chegada das câmaras refrigeradas, o estilo perdeu um pouco de sua relevância no mercado e acabou virando coadjuvante até a década de 1970, quando cervejarias artesanais americanas tornaram esse estilo de cerveja um sucesso novamente e acabou dominando o mundo! Aromática e amarga, a IPA encantou paladares e conseguiu espaço no mercado que não era imaginado por ninguém e acabou criando inúmeras variações que movimentaram o cenário, trazendo novas tendências e até mesmo ganhando espaço nos principais guias de estilos.

Time de variações:

  1. English IPA: A versão original! Malte remetendo a biscoito e caramelo, lúpulos ingleses e amargor pronunciado, mas bem equilibrado.

 

  1. New England IPA (Hazy ou Juicy): a nova moda do mundo das IPAs, um dia odiada por muitos, hoje, a IPA turva, cremosa, com coloração que vai de amarelo claro a dourado escuro, com foco também na levedura e bastante frutada e aromática, vem conquistando grande espaço. Surgiu na região chamada de New England, nos Estados Unidos, e hoje muitas cervejarias já possuem seus rótulos.

 

  1. American IPA: com o sabor um pouco mais amargo do que a original, essa característica é consequência do lúpulo americano, pode-se dizer que é a uma versão moderna do estilo e hoje mais difundida. Mais lupulada e amarga, a colônia resolveu tornar o aroma intenso, com lúpulos que remetem o sabor de frutas tropicais.

 

  1. Imperial IPA (Double IPA): Estilo recente que surgiu nos Estados Unidos e foi criada para agradar alguns viciados em IPA que ainda não estavam contentes com o amargor das tradicionais! O sabor é extremamente amargo, afinal, o nome já diz a quantidade de lúpulo utilizado; a cerveja é clara, complexa, com espuma duradoura e teor alcoólico chegando aos 10%. Chega no limite do amargor da percepção humana.

 

  1. Session IPA: com um drinkability altíssimo, nada mais é do que versões com o mesmo perfil de aromas e sabores que o estilo base, porém com teor alcoólico reduzido, menos amargor e bem saborosa.

 

  1. Wet Hop IPA (Fresh Hop IPA): Lúpulos úmidos saem direto dos campos para as chaleiras da cervejaria no prazo de 24 horas. Como os lúpulos são incrivelmente perecíveis, utilizando-os molhados, todos os óleos e resinas são preservados para trazer aromas e sabores mais frescos. Experiência única!

 

  1. Single Hop IPA: Tendência técnica interessante e didática no mercado; é geralmente uma receita de American IPA utilizando apenas uma variedade de lúpulo (single hop) para aroma, sabor e amargor.

 

  1. Brett IPA: Brett é o “apelido” de Brettanomyces, levedura selvagem utilizada para a elaboração de cervejas ácidas e complexas. Apesar dessa característica, a verdade é que não trazem, ou não deveriam trazer, o “funky” para a cerveja (a famosa acidez). Esse estilo tem como principais características ser bastante carbonatada, seca e com incríveis sabores de frutas tropicais.

 

  1. White IPA: pense em uma Witbier, agora adicione mais lúpulo. Chegamos a mais uma invenção dos americanos para agradar todos os lados. No geral, são cervejas com o sabor clássico das witbier com o amargor das IPAs. Clara, leve e frutada, com a adição, por exemplo, de casca de laranja e coentro.

 

  1. Belgian IPA: utilizam leveduras belgas para a produção de cervejas mais secas, com teor alcoólico alto e bem carbonatadas. Com características clássicas das cervejas belgas, o estilo é novo e ainda esta crescendo no mercado.

 

  1. RED IPA: Com uma textura macia, carbonatação média e sem aspereza. Quase um subestilo da American Amber Ale, seu sabor do malte Cristal se junta com a base da American IPA trazendo a cor média a escuro e o amargor para esta receita.

 

  1. Indian Black Ale (Black IPA): apesar de bastante usado, Black IPA nos traz uma contradição linguística, afinal, Pale pode ser traduzido como pálido ou claro! Essa receita traz o perfil amargo e aromatizado da IPA e conta com maltes tostados e torrados, tornando-as mais escuras. Aromas de café ou chocolate devem ser encontrados, tornando-a mais sofisticada.

 

  1. Wood Aged IPA: geralmente utiliza-se o estilo base da American IPA para envelhecimento em barril de madeira. Isso proporciona a incorporação do sabor e aroma da madeira e da bebida do uso anterior no barril. Pouco utilizado, este método geralmente só é utilizado para produtos especiais.

 

Não sabemos o que pode alcançar a criatividade dos mestres cervejeiros, mas, se quiser entrar no lupulado mundo das IPAs e ainda não esta acostumado com amargor, aconselhamos começar por uma leve Session.  Não se preocupe se estranhar os sabores amargos, no início será tão estranho quanto à primeira vez que tomou um gole de cerveja, mas depois que acostumar, não tem mais volta. E, independente de qual variação escolher, um casamento bem sucedido é uma boa IPA ao lado de um hambúrguer ou costelinhas de porco no barbecue.

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