USP descobre linhagens nacionais de levedura

Se depender de um estudo da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP), a sua cerveja artesanal ficará mais brasileira. A pesquisa orientada pelo professor Luiz Carlos Basso se propôs a desbravar a biodiversidade nacional para minimizar a importação de matéria-prima para a produção da bebida.

“Especialmente no Sul do País, conseguimos atender a uma demanda em termos de malte, mas ainda trazemos muita coisa de fora para fazer as nossas cervejas especiais. A levedura é sempre oriunda de um local mais tradicional no ramo, como Alemanha e Bélgica, enquanto o lúpulo mais próximo daqui vem do Chile”, comentou Basso, divulgando o seu trabalho à Rádio USP. “Só a água que não há necessidade de importar”, sorriu.

Os pesquisadores, então, direcionaram o projeto às destilarias brasileiras. “E encontramos lá linhagens da levedura saccharomyces cerebisiae, com uma diversidade grande, capazes de produzir cerveja. Foi um garimpo, como procurar uma agulha no palheiro, mas achamos leveduras muito propícias”, comemorou o docente.

Quem também festejará, segundo Luiz Basso, serão os produtores de cerveja artesanal. Para ele, a descoberta da Esalq não apenas minimizará os custos de fabricação da bebida, como também trará benefícios publicitários ao setor.

“A tendência das cervejarias artesanais é o fabricante, mesmo aquele de fundo de quintal, querer fazer uma cerveja diferenciada. Então, essa busca por linhagens de levedura que confiram notas diferentes vem de encontro ao que se pretende: produzir uma cerveja especial”, disse Basso. “Existe até um apelo mercadológico. Os produtores terão o argumento de que estão usando levedura brasileira para produzir uma cerveja de alta qualidade”, concluiu.

Etiquetas:

Beercapp
Comparar ítens
  • Total (0)
Comparar
0